Histórias

MAYA JANE COLES

24 October 2011
MAYA JANE COLES

Texto Ed Karney Foto Will Whipple

Os mais fascinantes artistas e DJs do house/techno hoje em dia são jovens, várias mulheres e elas estão detonando. Maya Jane Coles lançou recentemente uma variedade de boas produções de house e pode até se tornar a mais requisitada DJ do planeta.

“Chegou um ponto em outubro passado em que pensei que não dava mais para continuar”, lembra Maya Jane Coles, de 23 anos, enquanto conversa com a Mixmag em seu pequeno apartamento em Londres. Apesar de ter lançado ‘What They Say’, uma das faixas de house mais comentadas do ano, ela estava totalmente falida e tinham roubado todo seu equipamento, deixando-a sem ferramentas para criar música. “Me lembro que pensava que tudo tinha acabado. As coisas estavam começando a acontecer, e de repente eu perdi tudo.”

Mas ela não sabia o que estava por vir. A dinâmica criada por ‘What They Say’, alimentada por EPs inovadores lançados pela Hypercolour e Mobilee e por um tsunami de clássicos instantâneos lançados por labels como Realtone e Dogmatik, mais remixes de Massive Attack e Ellie Goulding, fez dela um sucesso do dia para a noite no mundo da dance music underground, e talvez a mais solicitada DJ do pedaço.

O quarto de Maya é pequeno, mas cheio de criatividade. As paredes são cobertas por personagens de quadrinhos inventados por ela mesma, além de rabiscos e grafites. O chão é coberto por tênis coloridos, e um baixo (usado para os basslines) está posicionado em um canto. O setup do quarto-estúdio chama a atenção por ser bem low-fi: apenas um Mac com um teclado, microfone e alguns processadores, CDJs e um mixer Vestax básico.

Maya nasceu em uma família musical. Seu pai dirigia uma pequena gravadora independente, e sua mãe, uma imigrante japonesa que só falava em japonês com a filha, tinha paixão por Pink Floyd e Jimi Hendrix. Na adolescência, Maya era uma boa jogadora de futebol, e o treinador tentava convencê-la a virar profissional. Mas quando ela ouviu o som que vinha de Bristol, tudo mudou. ““Blue Lines”, do Massive Attack, e “Dummy”, do Portishead me fizeram querer fazer minha própria música”, diz ela. Os primeiros tracks que produziu foram improvisados usando o software de edição de vídeo do pai dela e um CD com beats e efeitos.

Em sua busca, Maya rapidamente descobriu uma variedade de cursos de música custeados pelo governo, focados em manter a molecada longe de problemas. Aos 15 anos ela conseguiu uma vaga em um curso musical, e aos 17 ganhou 10 mil libras (aproximadamente R$ 25 mil) de um grupo que estimulava o desenvolvimento da criatividade de jovens promissores de Londres.

O início no clubbing foi aos 15 anos, no club Key de Londres. “Embora minha primeira real exposição à house music foi ter ido na festa Secretsundaze e Mulletover, quando tinha 16 anos. Tive sorte por saber da existência de festas como aquela – eu achava que detestava house!”, diz Maya. A virada rolou quando ela teve contato com o dono do label Dogmatik, Alex Arnout, no MySpace, e depois se encontrou com ele na Secretsundaze.

Logo ela estaria colocando toda sua energia na produção. “Eu não tinha a menor ideia da proporção que tomaria ‘What They Say’. A ideia principal levou mais ou menos uns 45 minutos,” ela lembra. E a house music é apenas uma das facetas de Maya. Exemplo é sua banda She Is Danger – que remixou Massive Attack e Ellie Goulding – e sua alcunha dubstep Nocturnal Sunshine, cujo próximo álbum causa expectativas.

“As pessoas me conhecem apenas por uma pequena fração do que eu faço”, afirma. “Cada som que está no álbum é um entre centenas que faço.” Com tanto potencial e possibilidades, um show com estrelas do eletrônico e convites para remixes chegando de diversos selos grandes, Maya pode ficar um pouco mais tranquila. “Pela primeira vez não preciso me preocupar com o pagamento do aluguel”, comemora Maya.

Top 5 productions de Maya

What They Say’ (Real Tone)
Tem um riff meio orgão-retrô que pega facilmente… Tem até tutoriais online explicando como fazer.

Nobody Else’ (Hypercolour)
Uma homenagem ao trip-hop típico de Bristol do meio dos anos 90. É um som excelente e que ainda vai continuar a tocar por muito tempo.

Perfect Imperfections’ (Mobilee)
Tech-house inovador idealizado para as pistas e que fez Anja Schneider se virar para levar o trabalho para seu selo, Mobilee.

Massive Attack feat Horace Andy ‘Girl I Love You’ (She Is Danger Remix) (RCRD)
Com a colega de banda Lena Cullen, Maya remixa um dos melhores sons do mais recente LP do Massive Attack, “Heligoland”.

Hummingbird’ (hypercolour)
House mais relaxante, com uma vibe leve e um toque de verão.

Publicado na Mixmag Brazil #10

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