Veja a segunda parte da matéria com mais algumas histórias de micos que os DJs não vão se esquecer tão cedo.
Na parte 2: Mark Knight, Busy P, Diplo, Annie Mac, Eddie Halliwell, DJ Sony, Fabio Castro, Mason, Steve Lawler, Sunsplash e Hands Up.
MARK KNIGHT (foto principal): SOM DE VIDRO QUEBRANDO
“Uma vez eu estava tocando quando algo quebrou bem na minha cabeça. Acontece que alguém estava dançando com um copo de vidro na mão e deve ter, em algum momento, atirado as “mãozinhas para cima”. O copo explodiu bem na minha testa, e o sangue desceu na hora. É claro que isso não me abalou. Sou duro na queda!”

BUSY P: SURRA NA ITÁLIA
“Minha pior gig foi em Rimini, Itália, com o Daft Punk, por volta de 1998. Eu estava abrindo pro Daft, mas parece que a gente estava no club errado. Eu estava mais para DJ Sneak e Kenny Dope, enquanto que o residente era total trance pesadelo. Comecei a tocar, e vinte minutos depois me vi na pista levando uma surra dos italianos!”

DIPLO: BELFAST BLUES
“Minha primeira gig em Belfast não foi das melhores. O time de futebol da Irlanda do Norte tinha acabado de perder um jogo importante, e todo mundo estava meio puto. Só uma mulher apareceu na balada, e ainda assim, acho que foi por engano. Os promoters da festa se sentiram muito mal com tudo isso, mas fizeram questão de me pagar mesmo assim. Me coloquei no lugar deles e me senti péssimo.”

ANNIE MAC: BALADA DE CALOUROS
“Acho que meu pior show rolou no ano passado, em uma universidade cujo nome prefiro não citar. O que eu não sabia a respeito do evento é que se tratava de uma ‘Festa de Calouros Fluorescente’, o que significa que havia pelo menos dez tubos luminosos por pessoa. Quando entrei na cabine, notei que o palco estava coberto desses tubos fluorescentes, e confesso que deu até arrepios ao pensar no que poderia rolar. Claro que, um por um, todos foram jogados em mim.
Depois de bater o recorde como o DJ set mais atingido por varinhas fluorescentes, decidi tomar uma atitude e pedi pelo microfone que todos, depois que eu contasse até três, jogassem de uma vez seus tubos fluorescentes em mim. Pensei que seria uma forma divertida de ficar livre daquilo de uma vez por todas, e aí seria bola pra frente, e todos curtiriam meu show. Por uns dez segundos eu fiquei ali na frente levando uma chuva de tubos fluorescentes, rindo de mim mesma, da situação surreal em que me encontrava. Aí voltei para as pick-ups torcendo em silêncio para que desencanassem daquilo. Mas a brincadeira continuou.
Outras situações humilhantes aconteceram naquela festa durante o set, mas cumpri a missão. Depois fui para casa e prometi a mim mesma procurar saber mais sobre os eventos de que eu viesse a participar.”

EDDIE HALLIWELL: MAGO DE UMA PICK-UP
“Me lembro bem de um show que fiz em Edinburgh na época do vinil. O club estava muito quente, e todo mundo, derretendo. Depois de tocar por uns trinta minutos, a condensação do teto começou a pingar no equipamento, e um toca-discos começou a girar ao contrário devido à umidade no motor. Fiquei com apenas um toca-discos e, sem opção, toquei um vinil por vez. Fiquei muito grilado, mas quando o público viu o que havia acontecido, a vibe da festa acabou melhorando!”

DJ SONY: ESQUECERAM DE MIM
“Aconteceu em Fortaleza, Ceará. Em início de carreira, eu estava louco para tocar em outro estado. Estava tão empolgado que saí de Brasília sem receber cachê adiantado e sem o voucher do hotel. Chegando lá, o contratante veio falando que o evento estava fraco. Ele me deixou no hotel dizendo que voltaria mais tarde para me buscar. Não preciso dizer que ele não apareceu mais. Resumindo: tive que pagar o hotel, não toquei e não recebi o cachê. Hoje dou risadas, mas na hora foi punk.”

FABIO CASTRO: FAR, FAR AWAY
“A gig aconteceu em uma véspera de ano-novo e já começou mal, pois me perdi várias vezes entre canaviais e estradinhas de terra até chegar ao local da festa. Quando finalmente cheguei, uma banda de pagode ‘animava’ o público. ‘Tô lascado’, pensei, ‘mas vamos aproveitar na medida do possível’.
Foi aí que me levaram até a cabine em que eu iria tocar... que ficava a uns 60 metros do palco, do som e do público! Assim que a banda de pagode terminou, comecei meu set. Eu via as pessoas dançando, lá longe, enquanto olhavam pro palco vazio, de onde saía o som das caixas.”

MASON: DJ NA CADEIA
“Nossa, eu me lembro de vários! Na Finlândia, acabei na cadeia em 98, em um de minhas primeiras gigs em outro país. Na época as autoridades não gostavam de festas de house, por isso prendiam todos, do técnico de iluminação ao bartender. Tambem toquei em uma festa errada anos atrás. O povo me colocou para tocar mesmo vendo que a plateia era só de senhoras mais velhas. Depois, ao subir um monte à procura de melhor sinal de celular para tentar achar o contratante, vi uma rave gigante, com lasers e tudo mais. Era onde eu deveria tocar! E em 2002, na China, fui atacado por ter letras em inglês em algumas músicas, o que por lá é considerado ofensivo. Depois de dez minutos, os seguranças me tiraram dali, para meu próprio bem. No backstage, vi os promoters aplaudindo. Eu toquei três discos.”

STEVE LAWLER: SELVAGEM NO VIP
“Comecei com meu voo atrasando, o que me fez chegar ao local duas horas depois do horário marcado. Quando cheguei, me deparei com muitos caras gritando e me empurrando enquanto eu tentava entrar na cabine para tocar o que podia. Consegui subir, mas um garçom acidentalmente derramou um balde de água e gelo no meu laptop e no meu controller. Depois rolou uma briga logo atrás de mim, enquanto os VIPs faziam sinais de David Guetta em minha direção! Fiquei tocando um CD em loop por uns vinte minutos, porque meu equipamento entrou em pane. Acabei tocando por apenas mais uns vinte minutos, no máximo, e saí fora, deixando todo mundo brigando. Não vou falar o nome do club, pois sei que podem me ferrar, mas eles sabem muito bem de quem estou falando!”

CLARISSA, DO SUNSPLASH: CORTIÇO EM NY
“Tinha tudo para ser um show incrível. A localização era ótima, e o organizador parecia ser uma pessoa razoável. Mas chegando ao local, vi que era uma casa aparentemente abandonada em plena Manhattan. E o pesadelo começou quando descobrimos que não havia uma mesa para o equipamento. Então fizemos uma gambiarra com uma placa de isopor grossa apoiada em dois cavaletes de madeira. Em cima do palco havia uns dez baldes pendurados, para proteger-nos de um vazamento que vinha do primeiro andar da casa.
Ficamos o show inteiro tentando desviar dos pingos que caíam dos baldes e tomando o maior cuidado para não nos eletrocutarmos. Quando estávamos terminando, descobrimos que no andar de cima ficavam nada mais nada menos do que... os banheiros!
Hoje em dia a gente dá risada. Mais roots que isso, impossível! Tocamos com água de xuka caindo na nossa cabeça. Credo!”

HANDS UP: PESADELO EM MIAMI
“Fomos tocar em Miami na semana do Ultra. Era nossa primeira gig internacional. Iríamos filmar e fazer um vídeo promo. Em outras palavras, era um sonho, mas que virou pesadelo. Chegamos à tarde no club para montar os equipamentos e ficamos horas tentando localizar algum responsável. Quando conseguimos, já precisávamos ir para o hotel nos arrumar, correndo, e voltar para tocar.
De volta ao club, não fomos apresentados a ninguém além do DJ residente. Começamos a tocar, e após cinco músicas vem o residente falando que o dono não tinha gostado do nosso som e pedindo pra gente tocar só mais duas músicas e ir embora. Fizemos o que foi pedido e saímos, mas quando o DJ residente assumiu, ele tocou cinco das sete músicas que a gente tinha tocado antes!
Para piorar, o cara da filmagem sumiu, e com ele, nosso dinheiro. Como se não bastasse, o hotel que reservaram pra gente não era nada do que tinham nos informado antes. A empolgação que estávamos sentindo se transformou em desilusão, e saímos muito tristes, mas com uma lição aprendida.”
Publicado na Mixmag UK e na Mixmag Brasil em 2011. Veja a primeira parte dessa matéria clicando aqui.