O Deep Colors é a somatória dos experientes DJs André Pulse e Jorge Júnior, as criativas frases percussivas de Alan Watkins e a vanguarda visual do VJ Fabinho, resultando em uma realização audiovisual singular que funde luz e som em uma apresentação live. Alan nos conta qual é a do Deep Colors.
Se juntar a galera que volta e meia nos acompanha pelo Brasil com o pessoal que nós sempre encontramos pelas baladas, clientes, promoters, fãs e amigos, dá para dizer que o Deep Colors é uma grande família. A gente até briga (pelo projeto, claro), mas na maioria das vezes é um tirando onda com a cara do outro. Cada um tem alguns pontos fracos, e o Pulse, principalmente, tem a língua afiada e o dom de transformar uma fraqueza em motivo de risada.Tem gente que sofre até bullying no projeto. Eu já aprendi a me defender do Pulse. Quando ele pisa no meu calo, já tenho umas cartas na manga para revidar. Nem sempre resolve, mas prevenir é preciso!
O Deep Colors é uma fusão de várias personalidades com um ponto de convergência muito importante, que é o amor pela música. Somos todos, desde muito cedo, apaixonados pelo que fazemos. Cada um, de formas distintas, esteve envolvido com música durante a maior parte da vida. Essa característica em comum funciona como uma espécie de verniz que cobre o Deep Colors. O acabamento é o amor pela música, e por isso quase todo esforço é válido.
O Pulse e o Jorge são os pais do projeto (não me pergunte qual dos dois é a mãe). A amizade deles de muitos anos resultou na empreitada que hoje é nosso objetivo e nossa família. Começou com alguns B2B despretensiosos em festas de amigos e afters bem loucos. A química musical deu resultado, os amigos aprovaram, e surgiu a vontade de transformar as jams em projeto. E hoje a gente toca nas melhores festas do Brasil, dividimos os palcos com os grandes nomes da música eletrônica mundial, viajamos de primeira classe e alternamos nossos passeios entre lanchas, helicópteros e limusines. É um trabalho difícil, as modelos europeias costumam ser bastante exigentes em termos de atenção. Ok, talvez eu tenha exagerado um pouco na parte sobre as lanchas.
Acho que o limbo da maioria dos DJs ou projetos é o aeroporto. Aquele período de espera, muitas vezes em estado etílico avançado de decomposição, quando os óculos escuros viram praticamente uma máscara na cara. É o preço que se paga por tanta diversão. Só pode ser uma penalização por se ter um dos melhores trabalhos do mundo. Entre extravios de bagagem e atrasos dos voos, volta e meia pagamos os pecados pela noite anterior. É ruim, mas é bom! Eu ando com quase 100 kg de equipamentos e instrumentos de percussão, então acabo sofrendo um pouco mais, embora na maioria das vezes o Fabinho me ajude.
Em termos de palco, a dinâmica é a seguinte: o Pulse e o Jorge fazem B2B com os computadores syncados. Juntos, eles pesquisam músicas por horas, dias, semanas, meses e separam as melhores. É um trabalho sem fim. Todo o material dos dois está baseado em muitos anos de experiências, vivências em tours internacionais, pioneirismo e muita competência.
Eles estão produzindo algumas tracks para o ano que vem e já produziram loops especiais para nossas gigs. Existe um cuidado muito grande nessa parte de conteúdo do projeto, pois tocamos para públicos muito distintos em cada apresentação. Por isso, temos que caminhar sobre o fio da navalha que divide o dançante do conceito. Acreditamos que música séria demais não funciona na maioria das pistas, mas apelar para chacota de rádio não é uma opção. Também temos o cuidado de sempre apresentar algo novo, moderno, inusitado.
Enquanto o Pulse e o Jorge vão costurando os sets faixa a faixa, o Fabinho já tem nosso material engatilhado para viajar com o que ele cria na hora. Em termos visuais, o VJ Fabinho é um monstro. Ele é uma das poucas pessoas da área que produzem material 3D atualmente. Além da captação de imagens com essa tecnologia, ele cria artes tão loucas quanto criativas.

Os loops também são de produções próprias, e o trabalho no Deep Colors é uma extensão natural do que o Fabinho já vem executando em toda sua carreira. Surpreender o público visual e musicalmente é uma das principais propostas do trabalho.
Neste verão queremos lançar o Deep Colors 3D, o primeiro projeto com produção própria em 3D do Brasil e um dos primeiros no mundo. É um projeto ousado, envolve muito conhecimento e criatividade, mas o esforço é recompensado na festa, que vira uma experiência memorável. A ideia toda é envolver o público em uma viagem audiovisual única. Fazer as pessoas verem o som é o limite da diversão hoje em dia. Para isso, desenvolvemos o material com o Fabinho, e nas apresentações em 3D distribuímos óculos para todo mundo.
A repercussão tem sido a melhor possível. Entre as datas de shows confirmadas para o ano que vem já temos Camarote Salvador, Green Valley e Festival Planeta Atlântida. Muito provavelmente teremos uma tour internacional, que divulgaremos assim que se confirmar. As coisas não poderiam estar melhores. Tocar com amigos, ser livre para usar a criatividade, receber o carinho do público e surpreender a galera positivamente é sempre muito gratificante. Espero que o Deep Colors ainda toque por muitos anos, sempre cercado de amigos por onde a gente passar!
Visite o site do deepcolors.com.br
Publicado na Mixmag Brasil #12